Representação do Negro
Personalidade Negra na Educação
Ana Célia da Silva, uma baiana de Salvador
que possui graduação em Pedagogia pela Universidade Federal da Bahia (1968),
mestrado em Educação pela Universidade Federal da Bahia (1988) e doutorado em
Educação pela Universidade Federal da Bahia (2001). Fez curso de Especialização
em Introdução aos Estudos Africanos em 1986 pelo Centro de Estudos Afro
Orientais/UFBA, com duração de 640 horas. Atualmente é professora adjunta da
Universidade do Estado da Bahia no Departamento de Educação, Campus I e no
Mestrado em Educação e Contemporaneidade. Tem experiência na área de Educação,
com ênfase em Currículos Específicos para Níveis e Tipos de Educação, atuando
principalmente nos seguintes temas: estereótipos em relação ao negro no livro
didático de língua portuguesa das séries iniciais; desconstrução, representação
social do negro nos livro didático de língua portuguesa das séries iniciais, e
educação das relações étnico-raciais. Eleita Membro Titular do Conselho
Estadual de Cultura, referendada pela Assembleia Legislativa em 18 de outubro
de 2007 para compor a Câmara de Política Sócio Cultural, publicado no D. O. de
18 de outubro de 2007.
Atuante da militância no
Movimento Negro Unificado (MNU), Ana Célia da Silva desenvolveu interesse por
esse objeto de investigação devido a sua atividade profissional como
orientadora educacional na rede pública de ensino estadual. O contato em sala
de aula com crianças e jovens negros a levou a perceber um sentimento de
auto-rejeição e rejeição quanto ao seu outro assemelhado étnico. A
sensação que seus alunos de pele negra tinha com relação à atitude de
desvalorização e superioridade por parte dos alunos de pele branca fez com que
a professora buscasse desenvolver estratégias, durante o ano letivo, de
valorização da auto-estima e o auto-conceito dos seus alunos que sofriam com
esse problema em sala de aula. Essa sensação de inferioridade contribuía para que
os alunos de pele escura se achassem feios, sem inteligência, chegando a não
gostar da cor de sua pele, de seus cabelos e a não se afirmarem como negros, e
sim como morenos. A constatação desses problemas fez com que Ana Célia
tentasse, embora sem êxito, buscar a ajuda de seus colegas que negavam essa
situação.
A verdade é que essa
realidade, de fato, existia e ainda existe em todos os ambientes da nossa
sociedade, inclusive nas instituições educacionais. Os estereótipos em relação
ao negro no livro didático foi um objeto de investigação que trouxe através
dessa autora discussões sobre as referências maldosas e preconceituosas usadas
para referendar o negro nos livros didáticos. De acordo com Silva (1995),
essas representações perversas muito contribuíram para a baixa auto-estima
detectada nas pessoas de pele negra, mas essas preocupações ao contrário do que
se pode imaginar não surgiram agora, e sim a partir de 1950.
De acordo com Silva
(1995), essas são algumas das situações identificadas entre 1950 a 1987 nos
livros didáticos: representação do negro em situação inferior à do branco,
personagens negros tratados com desprezo, a raça branca sendo considerada a
mais bela e a mais inteligente. Os personagens negros citados como pertencentes
a um passado histórico, como não atuantes no presente e identificados como
escravos e humildes. As empregadas domésticas sempre representadas por negras.
A morte dos 130 soldados negros na guerra do Paraguai por terem sido
abandonados aos inimigos e às doenças, provavelmente por serem negros.
Materiais pedagógicos (quadro negro). O silenciamento dos professores diante de
ações discriminatórias contra crianças negras. Os negros apresentados como
escravos ou preto–velhos, existindo atitudes paternalistas para como eles. Na relação
opressor-oprimido, o branco é o representante da espécie com atributos tidos
como universais, os grupos ou multidões são majoritariamente ou exclusivamente
brancos. O negro associado a personagens maus, à sujeira, à tragédia, à
maldade. O branco representando os santos, os ricos, os heróis.
Após anos de luta histórica em detrimento do reconhecimento acerca das políticas públicas que de fato diminuam a desvalorização secularizada da população negra em nosso país, o Ministério da Educação através de algumas ações como: mudanças ainda que discretas nos livros didáticos, política de cotas e reconhecimento da Semana da Consciência Negra nas escolas tanto públicas como particulares , nos levar a perceber que as mudanças no sistema educacional pensadas por autoras como Nina Lino Gomes e Ana Célia da Silva e vários outros educadores que pensam a educação como forma de resistência e combate contra o preconceito e discriminação vivenciadas pela população negra e pobre são realidades que não estão mais distantes como antes, mas que são possíveis a medida que tratamos os meios de ensino a partir de um verdadeiro comprometimento e não apenas como uma forma de se estabelecer no mercado de trabalho por conta de um ordenado.