segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Representação do Negro
Personalidade Negra na Educação

Ana Célia da Silva, uma baiana de Salvador que possui graduação em Pedagogia pela Universidade Federal da Bahia (1968), mestrado em Educação pela Universidade Federal da Bahia (1988) e doutorado em Educação pela Universidade Federal da Bahia (2001). Fez curso de Especialização em Introdução aos Estudos Africanos em 1986 pelo Centro de Estudos Afro Orientais/UFBA, com duração de 640 horas. Atualmente é professora adjunta da Universidade do Estado da Bahia no Departamento de Educação, Campus I e no Mestrado em Educação e Contemporaneidade. Tem experiência na área de Educação, com ênfase em Currículos Específicos para Níveis e Tipos de Educação, atuando principalmente nos seguintes temas: estereótipos em relação ao negro no livro didático de língua portuguesa das séries iniciais; desconstrução, representação social do negro nos livro didático de língua portuguesa das séries iniciais, e educação das relações étnico-raciais. Eleita Membro Titular do Conselho Estadual de Cultura, referendada pela Assembleia Legislativa em 18 de outubro de 2007 para compor a Câmara de Política Sócio Cultural, publicado no D. O. de 18 de outubro de 2007.

Atuante da militância no Movimento Negro Unificado (MNU), Ana Célia da Silva desenvolveu interesse por esse objeto de investigação devido a sua atividade profissional como orientadora educacional na rede pública de ensino estadual. O contato em sala de aula com crianças e jovens negros a levou a perceber um sentimento de auto-rejeição e rejeição quanto ao seu outro assemelhado étnico.  A sensação que seus alunos de pele negra tinha com relação à atitude de desvalorização e superioridade por parte dos alunos de pele branca fez com que a professora buscasse desenvolver estratégias, durante o ano letivo, de valorização da auto-estima e o auto-conceito dos seus alunos que sofriam com esse problema em sala de aula. Essa sensação de inferioridade contribuía para que os alunos de pele escura se achassem feios, sem inteligência, chegando a não gostar da cor de sua pele, de seus cabelos e a não se afirmarem como negros, e sim como morenos. A constatação desses problemas fez com que Ana Célia tentasse, embora sem êxito, buscar a ajuda de seus colegas que negavam essa situação.

A verdade é que essa realidade, de fato, existia e ainda existe em todos os ambientes da nossa sociedade, inclusive nas instituições educacionais. Os estereótipos em relação ao negro no livro didático foi um objeto de investigação que trouxe através dessa autora discussões sobre as referências maldosas e preconceituosas usadas para referendar o negro nos livros didáticos.  De acordo com Silva (1995), essas representações perversas muito contribuíram para a baixa auto-estima detectada nas pessoas de pele negra, mas essas preocupações ao contrário do que se pode imaginar não surgiram agora, e sim a partir de 1950.

De acordo com Silva (1995), essas são algumas das situações identificadas entre 1950 a 1987 nos livros didáticos: representação do negro em situação inferior à do branco, personagens negros tratados com desprezo, a raça branca sendo considerada a mais bela e a mais inteligente. Os personagens negros citados como pertencentes a um passado histórico, como não atuantes no presente e identificados como escravos e humildes. As empregadas domésticas sempre representadas por negras. A morte dos 130 soldados negros na guerra do Paraguai por terem sido abandonados aos inimigos e às doenças, provavelmente por serem negros. Materiais pedagógicos (quadro negro). O silenciamento dos professores diante de ações discriminatórias contra crianças negras. Os negros apresentados como escravos ou preto–velhos, existindo atitudes paternalistas para como eles. Na relação opressor-oprimido, o branco é o representante da espécie com atributos tidos como universais, os grupos ou multidões são majoritariamente ou exclusivamente brancos. O negro associado a personagens maus, à sujeira, à tragédia, à maldade. O branco representando os santos, os ricos, os heróis.

Após anos de luta histórica em detrimento do reconhecimento acerca das políticas públicas que de fato diminuam a desvalorização secularizada da população negra em nosso país, o Ministério da Educação através de algumas ações como: mudanças ainda que discretas nos livros didáticos, política de cotas e reconhecimento da Semana da Consciência  Negra nas escolas tanto públicas como particulares , nos levar a perceber que as mudanças no sistema educacional pensadas por autoras como Nina Lino Gomes e Ana Célia da Silva e vários outros educadores que pensam a educação como forma de resistência e combate contra o preconceito e discriminação vivenciadas pela população negra  e pobre são realidades que não estão mais distantes como antes, mas que são possíveis a medida que tratamos os meios de ensino a partir de um verdadeiro comprometimento e não apenas como uma forma de se estabelecer no mercado de trabalho por conta de um  ordenado.   


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