terça-feira, 27 de setembro de 2016

 Práticas discriminatórias na Educação

Personalidade negra na educação

Ainda refletindo a respeito do racismo percebi a importância de através de mulheres como Nina Lino Gomes começarmos a debater sobre as práticas discriminatórias na educação. Uma personalidade que contribuiu e continua a contribuir com a educação em todos os aspectos, entre eles as questões referentes às relações étnico-raciais e a educação. Penso em trazer outras personalidades negras atuantes no âmbito educacional em outras postagens com o intuito de corroborar com a disseminação do conhecimento e desejando que mais atores sociais aprendam e semeiem no campo da aprendizagem as sementes da conscientização e do respeito aos nossos semelhantes, independentemente da sua cor ou herança cultural, pois estas fazem relação direta com a nossa origem e a nossa história.

A partir da analise sobre até que ponto os profissionais nas instituições escolares podem e devem desenvolver ações que possibilitem aos alunos novas reflexões sobre um tema que perpassa séculos vemos que a tarefa de discutir sobre as relações étnico-raciais e as práticas de discriminação na educação não podem ser vistas como uma atividade à parte da escola, deve, portanto, ser posta em pauta também pelas instituições de ensino. Nos dias atuais não cabe mais ser vista apenas como um tema debatido entre os militantes políticos, sociólogos e antropólogos.  De acordo com Gomes (2005), tal argumento demonstra uma total incompreensão sobre a formação histórica e cultural da sociedade brasileira. 

Gomes (2005) afirma que não há como negar que a educação é um processo amplo e complexo de construção de saberes culturais e sociais que fazem parte do acontecer humano. Porém, não é contraditório que tantos educadores concordem com essa afirmação e, ao mesmo tempo, neguem o papel da escola no trato com a diversidade étnico-racial? Como podemos pensar a escola brasileira, principalmente a pública, descolada das relações raciais que fazem parte da construção histórica, cultural e social desse país? E como podemos pensar as relações raciais fora do conjunto das relações sociais?

É preciso que os(as) educadores(as) compreendam que o processo educacional também é formado por dimensões como a ética, as diferentes identidades, a diversidade, a sexualidade, a cultura, as relações raciais, entre outras. E trabalhar com essas dimensões não significa transformá-las em conteúdos escolares ou temas transversais, mas ter a sensibilidade para perceber como esses processos constituintes da formação humana se manifestam na nossa vida e no próprio cotidiano escolar.

Seria radical de nossa parte afirmar que a educação nos moldes atuais não permite ao professor(a) em sala de aula atuar como agente ativo no processo de formação humana, quando esse trabalho exige um conhecimento extenso sobre as dificuldades do nosso sistema educacional em abordar temas que ajudem aos alunos a entender as raízes que fecundaram e possibilitaram que o nosso povo não se reconhecesse também como nação descendente de povos negros, já que para tanto seria necessário uma reformulação de todos os livros didáticos que abordassem a história do nosso país tendo não só o negro, mas também o índio como sujeitos atuantes e construtores no que hoje é o Brasil.
Gomes (2005) nos aconselha que, antes de pensarmos em quais estratégias poderemos adotar para ajudar aos alunos na reflexão acerca do seu papel enquanto colaborador na luta contra as diferentes formas de discriminação vivenciadas na sociedade por qualquer pessoa que se declare afro-descendente, é importante que estejamos atentos ao seguinte ponto: se todos nós estamos de acordo com a necessidade de se desenvolver estratégias de combate ao racismo na escola, concordamos com o fato de que o racismo existe na sociedade brasileira. E mais, concordamos que racismo está presente na escola brasileira. Esse é um ponto importante porque rompe com a hipocrisia da nossa sociedade diante da situação da população negra e mestiça desse país e exige um posicionamento dos(as) educadores(as).

Essa constatação também contribui para desmascarar a ambiguidade do racismo brasileiro que se manifesta através do histórico afirmação/negação. No Brasil, o racismo ainda é insistentemente negado no discurso do brasileiro, mas se mantém presente nos sistemas de valores que regem o comportamento da nossa sociedade, expressando-se através das mais diversas práticas sociais. Essa ambiguidade também pode ser vista no discurso e na prática dos(as) professores(as). Uma melhor compreensão sobre o que é o racismo e seus desdobramentos poderia ser um dos caminhos para se pensar estratégias de combate ao racismo na educação, auxiliando os(as) educadores(as) a compreenderem a especificidade do racismo brasileiro e a identificar o que é uma prática racista e quando esta acontece no interior da escola. Essa é uma discussão que deveria fazer parte do processo de formação dos professores.

Refletir sobre os valores que estão por detrás de práticas como as que citamos anteriormente nos leva a pensar que não basta apenas lermos o documento de “Pluralidade Cultural”, ou analisarmos o material didático, ou discutirmos sobre as questões curriculares presentes na escola se não tocarmos de maneira séria no campo dos valores, das representações sobre o negro, que professores(as) e alunos(as) negros, mestiços e brancos possuem. Esses valores nunca estão sozinhos. Eles, na maioria das vezes, são acompanhados de práticas que precisam ser revistas para construirmos princípios éticos e realizarmos um trabalho sério e competente com a diversidade étnico-racial na escola. É preciso abrir esse debate e tocar com força nessa questão tão delicada.

Pensar em trabalhar com a questão racial não é só promover eventos anuais ou semestrais de acordo com a disponibilidade da agenda escolar, é antes o envolvimento de toda uma estrutura educacional consciente de suas limitações, mas com vontade de formar para a sociedade cidadãos responsáveis pelas suas ações que sabem conviver e respeitar a diversidade cultural em todos os ambientes, principalmente o educacional.


Referência 

GOMES, Nilma Lino. Educação e relações raciais: Refletindo sobre algumas estratégias de atuação. IN: Superando o Racismo na escola. 2ª edição revisada / Kabengele Munanga, organizador. – [Brasília]: Ministério da Educação, Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade, 2005.
Reflexões sobre
 Raça e  Racismo
As indagações a respeito do emprego da palavra Raça prioritariamente nos leva as indagações referentes à classificação outrora ordenada pela ciência que envolve principalmente o fenótipo e as heranças culturais das civilizações, mas precisamente quando se refere à cor da pele e/ou aos costumes.

No caso do Racismo percebemos que este advém da intolerância imperialista que indivíduos possam expressar com a aspiração de menosprezar o sentimento de pertencimento de um grupo ou de vários grupos que cultivam e valorizam suas raízes.Essa realidade pode ser traduzida através de questões bem simples do cotidiano se observarmos nas relações sociais dos sujeitos como cada pessoa se refere a sua própria trajetória de vida, traçando a partir de suas experiências como são construídas suas bases morais e de resistência através das normas sociais.

Exemplos que podem ilustrar essa reflexão são os que se referem às práticas de Racismo como a comparação, o julgamento. Vejamos; Quando um sujeito sabendo que no seu grupo familiar sabe da existência de pessoas com a cor da pele preta e os cabelos crespos entre outras qualidades que expressam através do fenótipo as características próprias da pessoa negra, mas para evitar que seus conhecidos o identifiquem como este sendo uma pessoa pertencente à cultura negra logo assume diante dos outros indivíduos seu posicionamento como descendente de pessoas apenas brancas. Nesse caso exaltando as qualidades que este fenótipo lhe oferece em contra partida ao que sua herança física negra lhe proporciona.

Entretanto não estou a afirmar que existe o racismo apenas no que se refere a indivíduos de cor de pele diferentes, pois a prática racista abrange não somente a cor, mas também aos costumes e as práticas próprias de cada grupo cultural. No caso do racismo não se tenta dizimar, excluir e destruir tão somente o sujeito, mas toda sua herança perpassada através de séculos.  

domingo, 25 de setembro de 2016

Indicação de Filme


O filme 12 anos de Escravidão de 2013, dirigido por Steve McQueen. Mostra uma perspectiva sobre a escravidão nos Estados Unidos. É uma leitura acerca das configurações em que se desdobravam o sistema escravista nas Américas e no mundo, é como tentar entender como as classes dominantes se constituíram como senhores dominadores das classes excludentes e segregadas a humilhação e a pobreza antes nas senzalas e contemporaneamente das favelas. Verdade que a escravidão de antes era mais deprimente do que a dos dias atuais em que as Políticas Públicas de Reparação tentam minimizar os efeitos que perduraram durante séculos e que jamais em tempo algum serão  apagados da memoria dos povos  que foram tirados  a força pelas mãos de seus opressores de suas terras e seus lares para se submeterem a toda crueldade e maus tratos.
Sobre o filme
O filme Doze Anos de Escravidão retrata a dolorosa sobrevivência de toda uma geração de descendentes africanos em terras estrangeiras, os massacres, os estupros, os assassinatos, a exploração e a comparação que se tinha do negro aos animais, aos selvagens sem direito algum. A elite predominantemente ditas como raça pura e branca julgava – se escolhida por Deus para dominarem o mundo e subjugarem através da força de sua ambição as raças inferiores desde a formação da sociedade.
Mas o que dizer então de uma descrição tão densa sobre um pouco do que foi a escravidão no Brasil e no mundo se as marcas daquelas chibatadas as quais eram castigadas nosso povo ainda ardem e doem muito na alma de cada homem ou mulher livre que assistem um filme como esse e ver a realidade que se passou com nossos antepassados? O que posso dizer se não que as marcas dos chicotes, e as mutilações sofridas  ainda doem.
O ser humano preso a um tronco gemendo e implorando por uma vida que nem ao menos sabia se valia a pena junto a um sentimento de abandono que não poderia ser medido, pois não tinha tamanho.  Ainda bem que o sol que nasce para uns, nasce também para todos e com essa afirmação quero expressar que as correntes que um dia trancafiaram a nossa dignidade quanto seres humanos iguais a qualquer um foram soltas em consequência da luta incessante de muitos homens e mulheres que tiveram suas famílias dizimadas, separadas e vendidas tais como se negociavam animais.
Todas as formas de escravidão são deploráveis a qualquer sociedade que almeje um desenvolvimento igualitário, antes era usada a palavra escravidão, hoje é usada a nomenclatura tráfico humano e as pessoas sejam elas negras ou não continuam sendo vendidas como se fossem objetos em exposição. Acredito que as leis precisam de fato proteger e preservar o ser humano quer este esteja em situação vulnerável ou não, pois não há nenhuma justificativa que possa algum dia legitimar ações que minimizem a altura própria do outro seja este quem for, todos nós merecemos respeito e precisamos aprender a lutar e a exercer nossos direitos como cidadãos.        
Identidade
As variações  acerca das definições que permeiam a palavra identidade assumem diversas conotações a depender do contexto social em que este conceito é empregado. Como por exemplo: alguns grupos sociais se sentem a vontade em pontuar suas características em comum enumerando através de seus atributos o que os faz se sentir parte de um todo. Nesse caso, o pertencimento faz parte de um serie de peculiaridades que distingue  a pluralidade dos atores sociais quando estes afirmam reconhecer através de seu legado histórico e cultural suas raízes quanto homem e mulher que vivem, constroem e interagem no meio social.   
Mas a identidade também pode assumir no meio social um sentido de necessidade, necessidade de negociar, de trocar. Pode assumir um valor mercadológico quando o que está em jogo é o bem estar individual ou até mesmo de grupo. Nesse caso, cada ator irá assumir dentro de suas perspectivas o discurso  que mais lhe aproxima da realidade a qual o mesmo pretende alcançar.
Em alguns casos de fato haverá o compartilhamento real de um mesmo seguimento de reconhecimento de traços que denotam semelhanças, nesse caso a identidade seria o assumir dessas propriedades e expressa-las através de sua própria vivência cotidiana.  
Alguns pontos podem nos ajudar a compreender a construção do conceito de identidade, são eles: a construção histórico-cultural , a construção sócio-econômica, a divisão de classes e a segregação dos povos que algumas pessoas chamam de 'segregação racial'. Não pretendo abordar nessa ocasião uma reflexão sobre esses pontos que tenho identificado, pois prefiro em outras postagens refletir sobre essas realidades individualmente.           

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Apresentação


Esse blog, tem o proposito de trazer uma visão sobre os temas discutidos nas aulas de Relações Étnico-Raciais. 

Caracterizando-se por um diário de bordo da minha visão, enquanto estudante de Ciências Sociais, sobre conceitos como Identidade, Alteridade, Raça e suas influencias sobre a educação e/ou educação no campo. 
Apresentando um caráter de dimensões reflexivas e introspectivas sobre o meu processo de formação.