Práticas discriminatórias na Educação
Personalidade negra na educação
Ainda refletindo a respeito do racismo percebi a importância de através de mulheres como Nina Lino Gomes começarmos a debater sobre as práticas discriminatórias
na educação. Uma personalidade que contribuiu e
continua a contribuir com a educação em todos os aspectos, entre eles as
questões referentes às relações étnico-raciais e a educação. Penso em trazer outras personalidades negras atuantes no
âmbito educacional em outras postagens com o intuito de corroborar com a disseminação do conhecimento e desejando que mais atores sociais aprendam e semeiem no
campo da aprendizagem as sementes da conscientização e do respeito aos nossos
semelhantes, independentemente da sua cor ou herança cultural, pois estas fazem
relação direta com a nossa origem e a nossa história.
A partir da analise sobre até
que ponto os profissionais nas instituições escolares podem e devem desenvolver
ações que possibilitem aos alunos novas reflexões sobre um tema que perpassa
séculos vemos que a tarefa de discutir sobre as relações étnico-raciais e as práticas de
discriminação na educação não podem ser vistas como uma atividade à parte da
escola, deve, portanto, ser posta em pauta também pelas instituições de ensino.
Nos dias atuais não cabe mais ser vista apenas como um tema debatido entre os
militantes políticos, sociólogos e antropólogos. De acordo com Gomes (2005), tal argumento
demonstra uma total incompreensão sobre a formação histórica e cultural da
sociedade brasileira.
Gomes
(2005) afirma que não há como negar que a educação é um processo amplo e
complexo de construção de saberes culturais e sociais que fazem parte do
acontecer humano. Porém, não é contraditório que tantos educadores concordem com
essa afirmação e, ao mesmo tempo, neguem o papel da escola no trato com a
diversidade étnico-racial? Como podemos pensar a escola brasileira,
principalmente a pública, descolada das relações raciais que fazem parte da construção
histórica, cultural e social desse país? E como podemos pensar as relações
raciais fora do conjunto das relações sociais?
É
preciso que os(as) educadores(as) compreendam que o processo educacional também
é formado por dimensões como a ética, as diferentes identidades, a diversidade,
a sexualidade, a cultura, as relações raciais, entre outras. E trabalhar com
essas dimensões não significa transformá-las em conteúdos escolares ou temas
transversais, mas ter a sensibilidade para perceber como esses processos
constituintes da formação humana se manifestam na nossa vida e no próprio
cotidiano escolar.
Seria
radical de nossa parte afirmar que a educação nos moldes atuais não permite ao professor(a)
em sala de aula atuar como agente ativo no processo de formação humana, quando
esse trabalho exige um conhecimento extenso sobre as dificuldades do nosso
sistema educacional em abordar temas que ajudem aos alunos a entender as raízes
que fecundaram e possibilitaram que o nosso povo não se reconhecesse também
como nação descendente de povos negros, já que para tanto seria necessário uma
reformulação de todos os livros didáticos que abordassem a história do nosso
país tendo não só o negro, mas também o índio como sujeitos atuantes e construtores
no que hoje é o Brasil.
Gomes
(2005) nos aconselha que, antes de pensarmos em quais estratégias poderemos
adotar para ajudar aos alunos na reflexão acerca do seu papel enquanto
colaborador na luta contra as diferentes formas de discriminação vivenciadas na
sociedade por qualquer pessoa que se declare afro-descendente, é importante que
estejamos atentos ao seguinte ponto: se todos nós estamos de acordo com a
necessidade de se desenvolver estratégias de combate ao racismo na escola,
concordamos com o fato de que o racismo existe na sociedade brasileira. E mais,
concordamos que racismo está presente na escola brasileira. Esse é um ponto
importante porque rompe com a hipocrisia da nossa sociedade diante da situação
da população negra e mestiça desse país e exige um posicionamento dos(as)
educadores(as).
Essa
constatação também contribui para desmascarar a ambiguidade do racismo
brasileiro que se manifesta através do histórico afirmação/negação. No Brasil,
o racismo ainda é insistentemente negado no discurso do brasileiro, mas se
mantém presente nos sistemas de valores que regem o comportamento da nossa
sociedade, expressando-se através das mais diversas práticas sociais. Essa ambiguidade
também pode ser vista no discurso e na prática dos(as) professores(as). Uma
melhor compreensão sobre o que é o racismo e seus desdobramentos poderia ser um
dos caminhos para se pensar estratégias de combate ao racismo na educação,
auxiliando os(as) educadores(as) a compreenderem a especificidade do racismo
brasileiro e a identificar o que é uma prática racista e quando esta acontece
no interior da escola. Essa é uma discussão que deveria fazer parte do processo
de formação dos professores.
Refletir
sobre os valores que estão por detrás de práticas como as que citamos
anteriormente nos leva a pensar que não basta apenas lermos o documento de
“Pluralidade Cultural”, ou analisarmos o material didático, ou discutirmos
sobre as questões curriculares presentes na escola se não tocarmos de maneira
séria no campo dos valores, das representações sobre o negro, que professores(as)
e alunos(as) negros, mestiços e brancos possuem. Esses valores nunca estão
sozinhos. Eles, na maioria das vezes, são acompanhados de práticas que precisam
ser revistas para construirmos princípios éticos e realizarmos um trabalho
sério e competente com a diversidade étnico-racial na escola. É preciso abrir
esse debate e tocar com força nessa questão tão delicada.
Pensar
em trabalhar com a questão racial não é só promover eventos anuais ou
semestrais de acordo com a disponibilidade da agenda escolar, é antes o
envolvimento de toda uma estrutura educacional consciente de suas limitações, mas
com vontade de formar para a sociedade cidadãos responsáveis pelas suas ações
que sabem conviver e respeitar a diversidade cultural em todos os ambientes,
principalmente o educacional.
Referência
GOMES, Nilma Lino. Educação e relações raciais: Refletindo
sobre algumas estratégias de atuação. IN: Superando o Racismo na escola. 2ª
edição revisada / Kabengele Munanga, organizador. – [Brasília]: Ministério da
Educação, Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade, 2005.
